Data: 26/10/2026 à 30/10/2026
Local: Fortaleza-CE
ISSN: 2764-9040
Mais informações: https://www.abrhidro.org.br/vend_iiebhe
A Distribuição de Extremos de Precipitação Diária no Brasil Ainda é Estacionária? Uma Análise Multirregional (1961-2025)
Código
V-END_II-EBHE0285
Autores
AZRAEL LEVI OLIVEIRA MENDONÇA, ANTONIO LUIGI DE SOUZA CARVALHO, Elis Ferreira Lopes, Samuel Lira de Brito, Cleiton da Silva Silveira
Tema
03 - Clima futuro e desastres;
Resumo
O artigo científico investiga a validade da hipótese de estacionariedade na distribuição de extremos de precipitação diária no Brasil, considerando o cenário atual de aquecimento global que favorece eventos pluviométricos mais intensos. Como a hipótese de estacionariedade é a base tradicional para o cálculo e dimensionamento de obras hidráulicas, sua possível invalidação pode comprometer a confiabilidade e o desempenho das infraestruturas de proteção existentes. Para avaliar essa premissa, o estudo analisou o índice de precipitação máxima diária anual (Rx1day) no período de 1961 a 2025 em cinco áreas geoeconômicas: Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), Amazônia, São Paulo, Rio Grande do Sul e Brasília/BR-060. As séries de dados foram divididas em três janelas temporais , o período total (1961-2025), um recorte antigo , de (1961-1990) e um mais recente, de (1990-2025) aplicando-se as distribuições de probabilidade Gumbel e Log-Normal para comparar o comportamento da chuva entre essas diferentes épocas. Os resultados gráficos revelaram um deslocamento generalizado dos extremos para a direita no período recente , evidenciando uma tendência clara de elevação nos percentis de criticidade (p95 e p99), com os maiores incrementos registrados em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Em suma, a pesquisa confirma a não-estacionariedade climática para os extremos de chuva nessas regiões. Devido à alteração observada nos Tempos de Retorno (TR), projetos de engenharia dimensionados exclusivamente com base em dados do passado apresentam risco de subdimensionamento , levando os autores a recomendarem a atualização dos manuais de drenagem urbana e das estratégias de gestão de riscos.