Data: 26/10/2026 à 30/10/2026
Local: Fortaleza-CE
ISSN: 2764-9040
Mais informações: https://www.abrhidro.org.br/vend_iiebhe
TECNOLOGIAS SOCIAIS E GESTÃO DE RISCOS: INTEGRAÇÃO ENTRE MAPEAMENTOS TÉCNICO E PARTICIPATIVO EM ÁREAS SUSCETÍVEIS A DESLIZAMENTOS EM NITERÓI (RJ)
Código
V-END_II-EBHE0232
Autores
Mayara Rodrigues Da Silveira, Franciele Zanandrea
Tema
05 - Educação, Cidadania e Integração Comunitária;
Resumo
Este trabalho investiga o potencial do mapeamento participativo, entendido como tecnologia social, para qualificar a gestão de risco de movimentos de massa em comunidades de Niterói (RJ) inseridas no Plano Municipal de Redução de Risco (PMRR). Para isso, foram integrados os polígonos feitos pela população em oficinas comunitárias com o mapeamento técnico oficial e com variáveis físico-ambientais derivadas de geoprocessamento e do modelo SHALSTAB. A partir da sobreposição desses conjuntos de informação, buscou-se compreender em que medida a percepção de risco dos moradores converge ou entra em tensão com as áreas de risco oficialmente reconhecidas pelo poder público. Os resultados mostram que, em diversas comunidades, os polígonos indicados pelos moradores se distribuem justamente em encostas íngremes, com alta suscetibilidade a deslizamentos rasos e, muitas vezes, já enquadradas como setores de risco pelo PMRR. Essa convergência evidencia que o mapeamento participativo não é um conhecimento ?intuivo? ou aleatório, mas se ancora em sinais concretos de instabilidade observados no cotidiano, reforçando a legitimidade da participação social na gestão de riscos. Por outro lado, o estudo também revela um conjunto expressivo de áreas percebidas como perigosas pela população que não aparecem no mapeamento técnico, incluindo trechos em expansão urbana recente ou em situações de risco ainda não formalmente reconhecidas, mostrando que os dois mapeamentos são complementares. Conclui-se que a integração entre ambos amplia a capacidade de identificação de riscos, une precisão técnica e sensibilidade comunitária, fortalece a leitura territorial produzida pelos moradores e oferece subsídios mais completos para a atualização do PMRR, para o planejamento urbano em encostas e para a proteção de populações em contextos de alta vulnerabilidade socioambiental.