Data: 26/10/2026 à 30/10/2026
Local: Fortaleza-CE
ISSN: 2764-9040
Mais informações: https://www.abrhidro.org.br/vend_iiebhe
Percepção de risco de escassez hídrica em comunidades rurais do semiárido cearense: análise textual com IRaMuTeQ
Código
V-END_II-EBHE0112
Autores
Maria Adriana Martins e Silva, Alexandre Cunha Costa, Rafaella Pessoa Moreira, Tainara Chagas de Sousa, Caroline Evaristo Lourenço, Sara do Nascimento Cavalcante, Pedro Henrique Augusto Medeiros, Pieter van Oel, Susan Geurtsen, João Deon p. Filho
Tema
06 - Gestão de Risco e de Desastres: planejamento, adaptação e prevenção;
Resumo
A escassez hídrica constitui um dos principais desafios socioambientais do semiárido brasileiro, sendo agravada pelas mudanças climáticas e pelas vulnerabilidades socioeconômicas das populações rurais. Este estudo objetivou analisar a percepção de risco de escassez hídrica em comunidades rurais do semiárido cearense por meio de técnicas de análise textual. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória, realizada com famílias residentes nas comunidades de Serrinha de Santa Maria, Olho d?Água do Forno e Jatobá. Foram analisadas respostas abertas referentes à percepção atual do risco de falta d?água e à comparação desse risco com o período de seca de 2012?2018. Os dados textuais foram processados no software IRaMuTeQ, utilizando-se as técnicas de Nuvem de Palavras e Análise de Similitude. Os resultados evidenciaram a centralidade dos termos ?água?, ?açude?, ?poço?, ?cisterna? e ?carro-pipa?, revelando a importância das fontes tradicionais de abastecimento e das tecnologias sociais de convivência com a seca. A análise de similitude demonstrou que a percepção de risco está associada à redução das chuvas, ao esvaziamento dos reservatórios e à dependência de mecanismos emergenciais de abastecimento. Embora os participantes reconheçam melhorias no acesso à água em comparação ao último grande período de seca, atribuídas à ampliação do abastecimento encanado, às cisternas e ao fornecimento por carros-pipa, persiste a preocupação com novas estiagens prolongadas. Conclui-se que a percepção comunitária reflete tanto avanços nas estratégias adaptativas quanto a permanência de vulnerabilidades hídricas, reforçando a necessidade de fortalecimento das políticas públicas de segurança hídrica e adaptação climática no semiárido brasileiro.